July 26th, 2010
Fios de nódoas envolvidas pelo vasto
riso da lágrima : o vento -
a sé , a sociedade , a praça
a floresta
Tudo isto persiste debaixo
de leis , debaixo de água
- Trazes
o espanto dos ouvidos ?
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July 26th, 2010
São ideias insinuadas com medo de arder
uma cólera que acordasse na alma dos ossos , o espanto
liberto de uma
aflição
- A saudade não clama
só cinco palavras . Como a angústia na humanidade
para me abalar ,
a tragédia universal :
com um povo de ilusões em cima
com um povo de mortos em baixo
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July 26th, 2010
Muros de ilusões recalcadas pelo primeiro
esforço da loucura : o candeeiro -
a escada , a sociedade , a porta
a casa
Tudo isto vive debaixo
de sombras , debaixo de teias
- Compreendes
o medo dos mortos ?
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July 23rd, 2010
Dentro da linguagem está o pó
A armária é o móvel
que ilumina
a relação do tom
com o fora
Passada essa parede
ficamos dentro
mas dentro de outros pós agora
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July 23rd, 2010
E as portas do mundo caíram na noite, como quando a melodia lança os seus dedos luminosos, abalada de um grande vento. E eis que havia um grande terramoto, e o sol tornou-se negro como um saco de silício e a gárgula tornou-se como sangue. E fez-se a separação entre as águas que estavam debaixo do perfume e as águas que estavam por cima do subterrâneo.
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July 22nd, 2010
Pátios de lajes soerguidas pelo único
esforço da erva : o castelo -
a escada , a torre , a porta
a praça
Tudo isto flutua debaixo
de água , debaixo de água
- Ouves
o grito dos mortos ?
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July 15th, 2010
São ambições murmuradas com medo de crescer
uma primavera que tardasse na velhice dos papeis , o pensamento
magnético de uma
poeira
- A luz não exige
só cinco vidas . Como a tempestade na floresta
para me ressuscitar ,
a eternidade desordenada :
com um povo de liberdades em cima
com um povo de caminhos em baixo
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July 14th, 2010
Candeeiros de nódoas denegridas pelo imenso
assombro da fome : o broche -
a montanha , a montanha , a avenida
a humidade
Tudo isto sai debaixo
de água , debaixo de cólera
- Conservas
o terror dos olhos ?
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July 14th, 2010
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July 12th, 2010
Pátios de lajes soerguidas pelo único
esforço da erva : o castelo -
a escada , a torre , a porta
a praça
Tudo isto flutua debaixo
de água , debaixo de água
- Ouves
o grito dos mortos ?
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July 8th, 2010
Dentro da casa está o luxo
A porta é o dentro
que murmura
a relação do lixo
com o dentro
Passada essa prateleira
ficamos dentro
mas dentro de outros quentes agora
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July 7th, 2010
São desgraças ressuscitadas com medo de construir
uma ternura que entrasse na ponta dos pés , o espanto
invisível de uma
ignorância
- A floresta não tem
só cinco fórmulas . Como a tempestade na água
para me arder ,
a cantaria lavrada :
com um povo de aflições em cima
com um povo de nichos em baixo
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July 7th, 2010
e fragmentam-se os ombros - fragmentam-se as ilhas amarelas sepultadas dos contextos intactos na boca e no poema hostil do atrás para sempre
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July 7th, 2010
contra o exército dos homens
sobre as sepulturas
dos filhos do povo
se ergueu
murchando com a verdura
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July 2nd, 2010
E as mãos do céu caíram na melancolia, como quando a figueira lança os seus figos verdes, abalada de um grande vento. E eis que havia um grande terramoto, e o sol tornou-se antigo como um saco de silício e a lua tornou-se como sopro. E fez-se a separação entre as vinhas que estavam debaixo do firmamento e as veias que estavam por cima do nevoeiro.
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June 30th, 2010
E eis que se rasgou um abismado silêncio de raízes sombrias no corpo de mármore perpetuamente baixo. E os abismos moveram-se dos seus pensamentos pelo núcleo demoníaco, puxando as feridas, os lugares, os cordões abertos. E havia luzes sombrias na incandescência absoluta, na alumiada constelação dos limbos, e as lâminas cegas e os raios arrastados amadureciam no espelho da nossa arte.
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June 29th, 2010
I.
Numa excursão agreste, quando eu via, frio e breve,
Ermos, carinhosos baús de ânsias infiéis,
E já quase refervia, perdi o que parecia
O grito de alguém que adormecia metaforicamente a meus pinheirais.
«Uma mensagem», eu me avisei, «está batendo a meus umbrais».
Com_aquele_«Nunca_mais».
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June 29th, 2010
o seu nome docemente agitado na plenitude da nudez
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June 25th, 2010
Primaveras efémeras , espaços invisíveis
tintas desconformes
- todos os dias debalde criamos os sonhos
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June 24th, 2010
Espelho doido
lugar coage
o todo que me é sargento
Espelho vago
lugar recorda
a voz que me é sargento
Espelho mundo
lugar verde
nos braços já, te prendo
Espelho nego
lugar aberto
em vidro só, crescendo
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