admirável leve , por Helena
Sunday, March 31st, 2013carcomido, negro, muito admirável, um vento muito leve escorre – e luta – sempre muito leve
carcomido, negro, muito admirável, um vento muito leve escorre – e luta – sempre muito leve
leve, leve, muito oculto, um vento muito leve passa – e cisma – sempre muito leve
a leve rapidez dos animais e as sereias leves dos cabelos roxos – a tarde leve cheia de distâncias
sempre no mesmo hesitante mistério de estar vomitando – nítido amor da treva em minha marcha silenciosa
sempre no mesmo imperturbável orgulho de estar gritando – vivo destino da verdade em minha cidade oculta
amarelo, casto, muito fatal, um rumor muito estranho escorre – e exclama – sempre muito disforme
o seu sussuro docemente contorcido na dança da voz
a desconhecida juventude dos ursos e as manchas altíssimas dos cabelos abandonados – a tarde leve cheia de paixões
fútil, visível, muito fatal, um frio muito leve exige – e escuta – sempre muito adormecido
a leve rapidez dos animais e as sereias densas dos cabelos roxos – a bruma leve cheia de distâncias
efémero, atónito, muito azul, um vento muito leve passa – e vai-se – sempre muito minúsculo
como tu és translúcida e doce como um enigma ! como tu és lunar – mais eterna do que a imaginação
a translúcida clareza dos golfinhos e as vozes leves dos sentidos cintilantes – a sabedoria crepuscular cheia de paixões
o seu pescoço penosamente agitado na armadilha da alma
alheio, leve, muito indiferente, um vento muito leve passa – e levanta – sempre muito fiel
alheio, leve, muito indiferente, um vento muito leve passa – e levanta – sempre muito fiel
o seu sangue lentamente agitado na água da fonte
o seu rasto levemente escondido na água da dor
leve, leve, muito humano, um rumor muito leve ecoa – e cresce – sempre muito casto
sempre no mesmo extinto mundo de estar repetindo – gélido osso da primavera em minha voz fingidora