pó Passada, por Debora
Friday, July 23rd, 2010Dentro da linguagem está o pó
A armária é o móvel
que ilumina
a relação do tom
com o fora
Passada essa parede
ficamos dentro
mas dentro de outros pós agora
Dentro da linguagem está o pó
A armária é o móvel
que ilumina
a relação do tom
com o fora
Passada essa parede
ficamos dentro
mas dentro de outros pós agora
Dentro da casa está o luxo
A porta é o dentro
que murmura
a relação do lixo
com o dentro
Passada essa prateleira
ficamos dentro
mas dentro de outros quentes agora
Espelho doido
lugar coage
o todo que me é sargento
Espelho vago
lugar recorda
a voz que me é sargento
Espelho mundo
lugar verde
nos braços já, te prendo
Espelho nego
lugar aberto
em vidro só, crescendo
Espelho doido
lugar conduz
o todo que me é atordoamento
Espelho cego
lugar coage
a voz que me é centro
Espelho mundo
lugar escrito
nos braços já, te prendo
Espelho nego
lugar curvo
em vidro só, crescendo
Os copos são latas delicadas
que prolongam os braços e a mão
facas sons colheres
à_esquerda copo garfo
à_direita cadeira garfo toalha
em_frente colher garfo bule
Os talheres são tábuas delicadas
que prolongam os braços e a mão
facas sons colheres
à_esquerda loiça garfo
à_direita faca faca colher
ao_lado colher garfo pires
A voz e o talher entendem-se através da mão
vôo
palavrício
um fumo
de comunhão
A cabeça e o copo entendem-se através da mão
vôo
besouro
um lento
de comunhão
Como a censura o diz
o ruído é a concha visível da balança
onde ferve a concha
onde ferve o ruído
no binóculo
Como a criança o diz
o ruído é a balança translúcida da água
onde gira a água
onde se_acolhe o abecedário
no vidro
Dentro da escada está o luxo
As gavetas estão cheias de armárias
porque as prateleiras estão cheias
de móveis irremediáveis
os quais sons têm outros dentros
os visíveis polimentos dos móveis
Dentro da casa está o gesto
As portas estão cheias de paredes
porque as letras estão cheias
de móveis comunicáveis
os quais sons têm outros polimentos
os visíveis móveis dos móveis
Dentro da casa está o nonsense
A gaveta é o instrumento
que corta
a relação do lixo
com o dentro
Passada essa linguagem
ficamos fora
mas fora de outros pós agora
Dentro da porta está o fumo
A casa é o instrumento
que abre
a relação do abecedário
com o corpo
Passada essa peúga
ficamos fora
mas dentro de outros pós agora
Dentro da jarra está o som
A janela é o lixo
que desafia
a relação do pó
com o fora
Passada essa poesia
ficamos fora
mas dentro de outros sons agora
Dentro da armária está o dentro
A gaveta é o cio
que corta
a relação do polimento
com o fora
Passada essa lata
ficamos dentro
mas fora de outros foras agora
Os talheres são tábuas delicadas
que prolongam os dedos e a mão
facas garfos colheres
atrás colher garfo
por_cima cadeira faca colher
à_esquerda colher faca colher
Dentro da janela está o volume
As linguagens estão cheias de letras
porque as casas estão cheias
de pós comunicáveis
os quais foras têm outros polimentos
os visíveis silêncios dos sons
Dentro da casa está o jogo
As casas estão cheias de peúgas
porque as casas estão cheias
de lixos irremediáveis
os quais silêncios têm outros silêncios
os irremediáveis dentros dos dentros
Dentro da linguagem está o lixo
A casa é o nonsense
que fecha
a relação do cio
com o fora
Passada essa prateleira
ficamos dentro
mas dentro de outros dentros agora