está casas, por kk
Monday, April 29th, 2013Dentro da casa está o dentro
As casas estão cheias de portas
porque as gavetas estão cheias
de dentros comunicáveis
os quais dentros têm outros dentros
os irremediáveis dentros dos silêncios
Dentro da casa está o dentro
As casas estão cheias de portas
porque as gavetas estão cheias
de dentros comunicáveis
os quais dentros têm outros dentros
os irremediáveis dentros dos silêncios
Dentro da casa está o dentro
A porta é o palavrício
que corta
a relação do dentro
com o ar
Passada essa porta
ficamos fora
mas fora de outros dentros agora
Dentro da casa está o polimento
As portas estão cheias de portas
porque as casas estão cheias
de silêncios sensíveis
os quais volumes têm outros dentros
os comunicáveis dentros dos dentros
Dentro da casa está o quente
As casas estão cheias de portas
porque as casas estão cheias
de luxos visíveis
os quais dentros têm outros volumes
os comunicáveis dentros dos armários
Dentro da peúga está o abecedário
A parede é o abecedário
que anuncia
a relação do lixo
com o palavrício
Passada essa armária
ficamos fora
mas fora de outros dentros agora
Como a alfinetada o diz
o copo é a boca irónica da luz
onde gira a água
onde borbulha o vinho
no vidro
Dentro da casa está o corpo
As paredes estão cheias de portas
porque as casas estão cheias
de dentros comunicáveis
os quais foras têm outros dentros
os sensíveis volumes dos armários
Dentro da casa está o ar
A porta é o instrumento
que corta
a relação do fumo
com o abecedário
Passada essa porta
ficamos dentro
mas fora de outros dentros agora
Espelho doido
lugar reflecte
o todo que me é centro
Espelho escuro
lugar edifica
a voz que me é centro
Espelho verde
lugar verde
nos braços já, te prendo
Espelho assente
lugar triste
em vidro só, humedecendo
Dentro da gaveta está o dentro
A prateleira é o instrumento
que cumpre
a relação do dentro
com o volume
Passada essa peúga
ficamos dentro
mas dentro de outros dentros agora
Dentro da casa está o lixo
A gaveta é o lixo
que abre
a relação do dentro
com o volume
Passada essa parede
ficamos dentro
mas fora de outros instrumentos agora
Dentro da parede está o polimento
A janela é o vôo
que corta
a relação do lixo
com o polimento
Passada essa porta
ficamos dentro
mas dentro de outros polimentos agora
Dentro da casa está o dentro
A porta é o instrumento
que corta
a relação do lixo
com o pó
Passada essa porta
ficamos dentro
mas dentro de outros polimentos agora
Dentro da linguagem está o cio
A letra é o instrumento
que anuncia
a relação do cio
com o jogo
Passada essa jarra
ficamos dentro
mas dentro de outros dentros agora
A linha e o copo entendem-se através da mão
barriga
cometa
um jogo
de comunhão
Dentro da gaveta está o dentro
A porta é o luxo
que ilumina
a relação do luxo
com o vôo
Passada essa prateleira
ficamos fora
mas dentro de outros lixos agora
Dentro da jarra está o vôo
A jarra é o jogo
que corta
a relação do dentro
com o fora
Passada essa gaveta
ficamos dentro
mas fora de outros dentros agora
Dentro da peúga está o dentro
As escadas estão cheias de portas
porque as casas estão cheias
de pós comunicáveis
os quais luxos têm outros dentros
os irremediáveis dentros dos armários
Dentro da casa está o dentro
A casa é o fora
que fecha
a relação do nonsense
com o instrumento
Passada essa gaveta
ficamos fora
mas dentro de outros quentes agora
Espelho mudo
lugar consola
o todo que me é atordoamento
Espelho mudo
lugar suporta
a voz que me é centro
Espelho mundo
lugar verde
nos braços já, te prendo
Espelho culto
lugar suspenso
em vidro só, relendo