Archive for the ‘Amor de Clarice’ Category
Thursday, March 28th, 2013
ana está débil no meio da noite
o mundo agora hostil
e perecível
dói
a esta bondade extrema
e ana sente uma
náusea doce
ana sente o fim
o inevitável e difícil fim
a impossível ilusão serena de que os
anos ruíram
e que
o mundo é um mínimo equilíbrio à tona da escuridão
nessa crueza tranquila
ana olha o assassinato profundo
ana lê :
a morte não é isso
e de tão fascinante
sente nojo
e de tão fascinante
tem nojo
nojo de
um mundo que de tão rico apodrece
nojo da
náusea
de saber – aqui – perto da decomposição profunda
perto da decomposição perfumada
que há homens e mulheres e crianças com fome
e de tão bonito
que dá medo do inferno
ana sente fé
ana sente amor
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Wednesday, January 30th, 2013
Quebrada pelas flores
ana deposita o volume no ventre
olha
como quem procura conforto
como quem procura
no bonde
no jardim
em instável satisfação
ana semeia
ana
e de tudo recebe
a tudo dá
a corrente de náusea
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Thursday, November 8th, 2012
Deformada pelas empregadas
ana deposita o volume no café
suspira
como quem procura suor
como quem brinca
no bonde
no jardim
em serena satisfação
ana semeia
ana
e de tudo recebe
a tudo dá
a corrente de vida
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Tuesday, October 30th, 2012
Presa pelas sombras
ana serena o frio no ventre
estremece
como quem procura desejo
como quem chora
no corpo
no jardim
em meia vergonha
ana semeia
ana
e de tudo recebe
a tudo dá
a corrente de noite
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Tuesday, October 23rd, 2012
Inventada pelas horas
ana apazigua o amor no suor
adormece
como quem rumoreja sofrimento
como quem descobre
no lago
no esgoto
em meia vertigem
ana deseja
alegria
e de tudo ri
a tudo corta
a juventude de revolução
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Thursday, October 18th, 2012
Deformada pelas noites
ana deposita o volume no corpo
ameaça
como quem procura sentido
como quem procura
no perigo
no frio
em meia surpresa
ana filma
ana
e de tudo reconhece
a tudo sacode
a corrente de luz
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Friday, October 12th, 2012
Deformada pelas compras
ana deposita o susto no assassinato
filma
como quem procura amante
como quem procura
no bonde
no jardim
em meia satisfação
ana semeia
ana
e de tudo extrai
a tudo dá
a crueza de vida
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Thursday, June 28th, 2012
Quebrada pelas árvores
ana respira o corpo no volume
sofre
como quem cria movimento
como quem suspira
no assassinato
no embrulho
em inquieta satisfação
ana descansa
doença
e de tudo enxuga
a tudo abre
a corrente de vida
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Monday, June 18th, 2012
Deformada pelas grades
ana abandona o corpo no ventre
acorda
como quem revela horror
como quem ri
no silêncio
no susto
em instável satisfação
ana voa
ana
e de tudo reconhece
a tudo silencia
a expressão de luz
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Thursday, May 31st, 2012
Deformada pelas flores
ana apazigua o mundo no ventre
perturba
como quem procura conforto
como quem procura
no grito
no jardim
em meia morte
ana semeia
ana
e de tudo recebe
a tudo dá
a luz de vida
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Saturday, May 12th, 2012
Carregada pelas compras
ana deposita o volume no ventre
foge
como quem grita atalho
como quem alcança
no embrulho
no banco
em invisível vitória
ana beija
morte
e de tudo enxuga
a tudo sacode
a sombra de doença
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Friday, May 11th, 2012
mas o sinal
mínimo e sadio
chama ana
estranham ana as brisas
chama ana uma faiscante
gota de dor :
ana ri
mancha
agarra
esquenta
inclina
rui
uma misteriosa borboleta – uma inventada flama
e este modo moralmente sujo de desaparecer
este irmão igual a ana
esta condutora
este jornal
muro de formigas inúteis
tudo isto janta com bonde como fruta que se aproxima lentamente
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Friday, May 11th, 2012
há uma assustada hora na felicidade
que diz baixinho não precisar de ana
mas ana segura um gesto
faminto
que logo anuncia o sofrimento
com a blusa
aprendida
nas exclamações em casa
nessa flama suja ana extrair o amor – e seu dente
escolheu
– porque assim o quis -
escolheu
um pé apodrecido no luar
um preso realmente rápido
um conforto goma de mascar do lixo
roupa que se masca na tulipa
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Friday, May 11th, 2012
aos homens à cadeira ao silêncio ao luar
às amantes que cortara
à criança aos presos ao desejo ao bonde ao banco à borboleta ao vento ao horizonte
aos dentes aos irmãos às cores pálidas doces aos corpos secos apodrecidos ao desejo ao frio das águas às luxuosas mãos da borboleta
às dálias tulipas parasitas doces e à poeira da parte interior do atalho
da pequena sombra
da boca de luar
das cores
dos besouros de verão
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Friday, May 11th, 2012
escapa ana profundamente como se olha o que nos vê
pisa ana inclinada
e o corpo
súbito
como quem não cai ana
dá largada
e o torto desejo de tricô calmo
do ventre despenca-se
do colo protege
sofre no sonho
explode
gritam
como quem agarra a quem não nos imagina
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Friday, May 11th, 2012
Desordenada pelas compras
ana encontra o calor no ventre
enlouquece
como quem atinge horror
como quem grita
no susto
no grito
em profunda sofreguidão
ana anuncia
luz
e de tudo discorda
a tudo extrai
a corrente de vida
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Friday, May 11th, 2012
Perturbada pelas sombras
ana descobre o ódio no grito
cega
como quem aceita destino
como quem adormece
no silêncio
no chão
em vibrante vergonha
ana adivinha
bondade
e de tudo aceita
a tudo dá
a corrente de vida
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Friday, May 11th, 2012
Esmagada pelas aparências
ana deposita o ódio no corpo
suspira
como quem reconhece desastre
como quem descobre
no grito
no nojo
em faminta persistência
ana deseja
misericórdia
e de tudo sente
a tudo silencia
a sombra de dor
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Friday, May 11th, 2012
Insultada pelas verdades
ana mergulha o ódio no chão
pára
como quem derrama sangue
como quem grita
no chão
no silêncio
em espantada escuridão
ana procura
fé
e de tudo agarra
a tudo rompe
a corrente de vida
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Thursday, May 10th, 2012
Deformada pelas brisas
ana deposita o muro no ventre
suspira
como quem sente conforto
como quem procura
no bonde
no jardim
em meia náusea
ana beija
ana
e de tudo recebe
a tudo dá
a corrente de piedade
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